Tétano em Equinos: conheça a doença e a importância da sua prevenção

Atualmente a criação de equinos vem ganhando enorme interesse, visto que o cavalo é utilizado em diferentes formas de atividades, como tração e transporte, em segurança pública e até no tratamento de doenças humanas através da equoterapia. Aliado a isso, o número de animais destinados ao lazer e ao esporte tem aumentado consideravelmente, o que proporciona uma exploração de grande interesse econômico, envolvendo animais de alto valor zootécnico (LAGE et al., 2007). Devido a isso, a preocupação com doenças que acometem equinos vem crescendo cada vez mais.

O tétano é uma doença tóxica infecciosa não transmissível, que acomete tanto os animais domésticos quanto o homem por ação das toxinas produzidas pelo Clostridium tetani, microrganismo de distribuição mundial, gram-positivo, encontrado sob a forma vegetativa ou esporulada em função das condições de tensão de oxigênio no ambiente.

Entre as espécies animais domésticas, estudos epidemiológicos revelam maior ocorrência de tétano em equinos, principalmente em países em desenvolvimento e locais onde a vacinação não é um hábito, com taxa de mortalidade variando de 59% a 80% (SILVA et. al., 2010). O tétano apresenta uma taxa de mortalidade variável, que pode chegar a 80% em equinos (PEDROSO et al., 2012). Os surtos podem estar relacionados com higiene precária de instalações e utensílios utilizados no manejo dos animais (TONI et. al., 2010).

Qualquer lesão ou ferida no animal pode se tornar porta de entrada para esse agente microbiano no organismo, normalmente em locais onde há anaerobiose, como em umbigos, cascos e cavidade oral. Essa exotoxina é capaz de bloquear os neurônios reguladores dos neurônios motores inferiores, acarretando em respostas motoras exageradas. Dessa forma, alguns dos sinais clínicos do tétano são projeção da terceira pálpebra, cauda em bandeira, sudorese, orelhas em tesoura, membros em cavalete e hipersensibilidade.

O diagnóstico do tétano é realizado com base nos sinais clínicos apresentados pelos animais que costumam ser bem característicos e, na maioria das vezes, suficientes para se chegar a uma conclusão. Porém, a confirmação também pode ser feita através de esfregaço direto corado pelo Gram ou cultura anaeróbia de material da ferida e baço (SILVA et. al., 2010). Pode-se tentar a determinação dos anticorpos séricos antitetânicos e ainda determinar a presença da toxina tetânica no soro proveniente do animal infectado. Os testes de PCR para a detecção da toxina tetânica em feridas têm sido utilizados, no entanto, o seu valor como ferramenta de diagnóstico não foi estabelecido (TONI et. al., 2010).O primeiro passo do tratamento é localizar, se possível, a ferida contaminada e tratá-la com peróxido de hidrogênio e permanganato de potássio. Aliado a isso, realizar uma antibioticoterapia sistêmica, que vai combater a infecção do Clostridium de modo a não produzir mais toxinas. O soro antitetânico também deve ser utilizado, pois é uma forma de tratamento que combate a toxina livre. Há também a possibilidade de usar alguns métodos para o cavalo apresentar menos reação a estímulos, como o uso de tranquilizantes, proteger o pavilhão auricular e manter a baia escura. Também podem ser utilizados relaxantes musculares, a fim de melhorar a locomoção e mastigação do paciente. Além disso, seria ideal atender o animal na propriedade, evitando seu transporte.

Embora o prognóstico seja considerado reservado, há variação conforme o tempo de evolução e intensidade dos sinais clínicos.

O tétano em equinos, devido à alta susceptibilidade desta espécie, e ao seu prognóstico reservado, constitui um problema que merece uma atenção especial. A vacinação é o método ideal para se evitar o acometimento dos animais por essa doença. A vacina é composta de 2 doses intervaladas em 2 semanas e seu reforço é anual. O seu efeito só começa após 15 dias da segunda dose. Entretanto, não é 100% eficiente por se tratar de uma bacterina.

Além disso, há a necessidade de medidas profiláticas complementares, especialmente no que diz respeito ao manejo dos animais. Os itens de uso comum como rasqueadeira, escovas e embocaduras devem ser higienizados criteriosamente e a aplicação de medicamentos e vacinas deve ser realizada com seringas e agulhas descartáveis. Outra indicação é o uso do soro antitetânico em intervenções cirúrgicas e em traumas, como feridas.

Um calendário de vacinação dos animais e um manejo sanitário eficiente na propriedade são fundamentais para garantir a saúde dos animais, além de evitar perdas econômicas futuras.

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FONTE: Tabela de vacinação para equinos – Blog da Tudo Vet


REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS


Manejo sanitário de doenças infecciosas. Disponível em: Acesso em: 25 nov 2020


RURAL PECUÁRIA. Os perigos do tétano em equinos. Disponível em: Acesso em: 25 nov 2020 LAGE, R. A. et al. Fatores De Risco Para A Transmissão Da Anemia Infecciosa Eqüina, Leptospirose, Tétano E Raiva Em Criatórios Equestres E Parques De Vaquejada No Município De Mossoró, Rn. Acta Veterinaria Brasílica, v.1, n.3, p.84- 88, 2007.


PEDROSO, A. C. B. R.; SOUSA, G. C.; NEVES, M. D. Tétano Em Potro Atendido Pelo Serviço De Controle Sanitário E Atendimento Clínico-Cirúrgico De Cavalos Carroceiros – Hospital Veterinário. Disponível em: http://serex2012.proec.ufg.br/uploads/399/original_ANA_CAROLINA_BARROS_DA _ROSA_PEDROSO.pdf. Acesso em 25 nov 2020


SILVA, A. A. et. al. Uso De Antitoxina Tetânica Por Via Intratecal E Endovenosa No Tratamento De Tétano Acidental Em Equino: Relato De Caso. Revista Científica Eletrônica De Medicina Veterinária, Ano VIII, n. 14, Janeiro De 2010, Periódicos Semestral. Disponível em: http://www.revista.inf.br/veterinaria14/relatos/RCEMVAnoVIII-Edic14-RC01.pdf. Acesso em 25 nov 2020


TONI, L. et al. Avaliação Comparativa De Espécimes Para Diagnóstico Biológico De Tétano. In: CIC, XIX, 2010. Anais Eletrônicos 2010. Disponível em: http://www.ufpel.edu.br/cic/2010/cd/pdf/CA/CA_00894.pdf. Acesso em 25 nov 2020


Palavras chave: Tétano, Clostridium tetani, Rigidez muscular, Óbito, Toxina, Vacina antitetânica



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