Pecuária Sustentável: Mais gastos ou oportunidades?

Atualmente, as discussões sobre os impactos ambientais da pecuária vêm ganhando força e mostrando a necessidade da modernização para aumento da produtividade com diminuição do impacto ambiental. Segundo o relatório da FAO, Livestock’s long shadow (Longa sombra da pecuária), diversos estudos mostram a pecuária como um importante agente no aquecimento global, principalmente pela produção de gases estufa durante a cadeia produtiva dos bovinos, que abrange desde a queima de pastagens, fermentação ruminal, respiração, produção de grãos, até o combustível fóssil gasto no transporte do produto final (MELADO,2007).


Os principais gases do efeito estufa produzidos pelo setor são o CO2 (dióxido de carbono), CH4 (metano) e N2O (óxido nitroso) (AMARAL,2012). O CO2 é produzido durante as queimadas para criação de pastagens (este método de criação de pastagem não é indicado e deve ser abolido, devido a degradação de nutrientes na solo e grande emissão de CO2), também na respiração dos animais, transporte, etc.


Já o metano é produzido durante a fermentação ruminal, e a quantidade produzida é proporcional a quantidade consumida pelo animal e inversamente relacionada a qualidade dos alimentos ingeridos (Brasil,2010), ou seja, quanto maior o consumo maior a produção de metano e quanto melhor a qualidade da pastagem menor a quantidade de metano produzido. Adicionalmente, durante a fermentação das fezes é produzido metano também, porém no caso do sistema intensivo é produzido fezes com alto valor biodegradável que gera quantidade maior de metano. O sistema predominante no Brasil é o extensivo, que produz fezes com menor valor biodegradável e assim menos metano, voltando o foco então para melhora da alimentação a pasto e consequente melhoria da fermentação ruminal (Brasil, 2010).


Por último temos o óxido nitroso que retém mais calor (efeito estufa) que o CH4 e até 250 vezes mais que o CO2, ele é produzido por dejetos na pastagem e pela utilização de fertilizantes nitrogenados em solos com problemas, como lixiviação (Brasil, 2010).

Disponível em: https://acrimat.org.br/portal/preservacao-ambiental-gestao-social-e-economica-viabilizam-pecuaria-sustentavel/


Entretanto, como diminuir o impacto ambiental da pecuária e ao mesmo tempo aumentar o lucro? Existem diversas alternativas já estudas e colocadas em prática no Brasil, que não só minimizam os impactos ambientais como aumentam o ganho de peso animal e geram lucro, as que iremos focar serão a formação, recuperação e renovação de pastagens; vedação (diferimento) e suplementação de pastagens.


As pastagens são a principal fonte de alimentação dos bovinos o que torna imprescindível um bom manejo. Não existe um manejo perfeito para todos, cada propriedade apresenta solos, equipamentos, disposição para investimentos diferentes. Então antes mesmo do manejo propriamente dito, é necessário conhecer os fatores citados e além desses a densidade animal desejada, disponibilidade de mão-de-obra, época do ano para cada forrageira, pluviosidade, limpeza de plantas invasoras, calagem, fertilização, etc. A junção de todas essas informações vai direcionar o manejo (contínuo, rotacionado ou deferimento de parte do pasto) e espécie forrageira mais adequada.


O uso demasiado da pastagem, sem adubação, provoca sua degradação e resulta em perda de produtividade, qualidade e recuperação. Nestes casos é necessário realizar a recuperação e/ou a renovação da pastagem. De acordo com Macedo, Kichel e Zimmer (2000), recuperar uma pastagem consiste no restabelecimento da produção da forragem mantendo-se a mesma espécie ou cultivar. Já renovar uma pastagem consiste no restabelecimento da produção da forragem com a introdução da mesma ou de uma nova espécie ou cultivar, em substituição àquela que está degradada. Para decidir qual realizar é necessário um diagnóstico da pastagem atual e as possibilidades de novas, considerando a disponibilidade de recursos do produtor.


Uma característica marcante do Brasil é a sazonalidade da produção forrageira, na qual durante o período das chuvas há excesso de alimento de boa qualidade e na seca ocorre o inverso (escassez e baixa qualidade). Para minimizar os impactos da seca é utilizada a vedação, que consiste na preservação de parte da pastagem com ausência de pastejo pelos bovinos, gerando acúmulo de forragem e alimentando o rebanho durante a seca, entretanto, a vedação da pastagem resulta em grande quantidade de alimento com baixa qualidade nutricional tornando necessário a suplementação. A suplementação entra para corrigir o desequilíbrio entre a forragem vedada e a necessidade nutricional do animal, assim melhorando o ganho de peso e a conversão alimentar, encurtando o tempo de crescimento e engorda, aumentando a capacidade de suporte das pastagens, permitindo aumentar a produtividade e densidade nas pastagens sem que necessite de grandes investimentos em estrutura ou expansão das mesmas (Brasil, 2010).


Portanto, a preservação ambiental caminha junto a melhoria das pastagens e eficiência alimentar no brasil, trazendo benefícios tanto para o meio ambiente quanto para o produtor. Então a escolha da forrageira, planejamento e cuidados durante todo o ano com as pastagens é essencial para o crescimento sustentável e lucratividade no campo.




Palavras-chave: Pecuária sustentável; gases produzidos por bovinos; sustentabilidade na pecuária; recuperação e renovação de pastagens; vedação pastagem; diferimento pastagem; suplementação de pastagens; metano produzido por bovinos.


Referências:


MELADO, Jurandir. Pastagem ecológica e serviços ambientais da pecuária

sustentável. Revista de Política Agrícola, v. 16, n. 3, p. 113-118, 2007.

AMARAL, Gisele Ferreira et al. Panorama da pecuária sustentável. BNDES

Setorial, n. 36, set. 2012, p. 249-288, 2012.

BRASIL. Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Segunda Comunicação

Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações | Agroindústria Unidas

sobre Mudança do Clima. 2010.

MACEDO, M. C. M.; KICHEL, A. N.; ZIMMER, A. H. Degradação e alternativas

de recuperação e renovação de pastagens. Comunicado Técnico, n. 62, p. 1-4,

2000.

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