Pecuária Sustentável e os Sistemas de Integração Agrossilvipastoris

Tendo a intenção de diminuir os efeitos ambientais da pecuária sob o ecossistema local, a integração de sistemas agrossilvipastoris é uma alternativa que atende esse problema.

O sistema silvipastoril (SSP) ou interação pecuária-floresta (IPF), modalidade dos sistemas agroflorestais, refere-se às técnicas de produção nas quais se integram animais, plantas forrageiras e árvores, na mesma área. Tal sistema representa um a forma de uso de terra onde atividades silviculturais e pecuárias são combinadas para gerar produção de forma complementar pela interação dos seus componentes (Garcia; Couto, 1997). Esse sistema tem sido adotado como alternativa para reduzir os efeitos das condições climáticas estressantes para os animais ao incorporar o uso contínuo de espécies florestais às pastagens. Além de conferir maior conforto aos animais, com consequente aumento da produtividade e redução de custos, esses sistemas são capazes de aumentar a biodiversidade em regiões alteradas pelo uso inapropriado do solo [Leme et al. (2005).


Fonte: aen.pr.gov.br

Ademais, nos sistemas de produção agropecuária, a sustentabilidade pode ser considerada como a manutenção da produção ao longo do tempo, sem que ocorra a degradação dos recursos naturais dos quais a produção é dependente. Dessa forma, se faz necessária a manutenção do equilíbrio entre componentes, como solo, árvores, forrageiras e animais, aliada ao grande número de interações possíveis entre estes e os fatores climáticos, aumentando a necessidade de um planejamento rigoroso, sendo um ponto determinante no sucesso da produção.


Os benefícios do sistema silvipastoril são variáveis, sendo um deles que a presença de componentes arbóreo na pastagem tem trazido inúmeros benefícios ao sistema tanto na produção de forragem tanto nos aspectos ecológicos.


O microclima é modificado por essa presença arbórea, reduzindo a radiação solar e a relação de espectro de luz, podendo assim tornar a temperatura mais amena, aumentando a umidade do ar, reduzindo a taxa de evapotranspiração e aumentando a umidade do solo. Com isso, as condições ambientais no solo e na interface solo/liteira contribuem para o aumento da atividade microbiológica, tendo como consequência o aumento da taxa de mineralização dos nutrientes. E também, a presença de componentes arbóreos reduz ou evita a degradação da pastagem, uma vez que suas copas reduzem o impacto da chuva sobre o solo e a velocidade dos ventos. Além disso, o sistema radicular das árvores contribui para a sustentação do solo e melhoria das propriedades físicas, tais como porosidade, infiltração e capacidade de retenção de água.


O componente arbóreo pode ser benéfico, também por utilizar nutrientes de horizontes mais profundos do solo na produção de biomassa e devolve-los ás superfície do solo por meio da decomposição de folhas, frutos, casca, galhos, etc. (Menezes et al., 2002). Este material, acumulado na camada superficial, além de promover a ciclagem de nutrientes, pode constituir com a proteção adicional do solo contra erosão (Payne, 1985).


Outro método é o de sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) que consiste na rotação lavoura-pecuária e resulta em maior eficiência produtiva, com vantagens para ambas as atividades. A integração lavoura-pecuária, principalmente quando associada ao sistema de plantio direto, proporciona inúmeros benefícios ao produtor e ao ambiente. Entre eles, constam: agregação de valor; redução dos custos de produção relacionados ao controle de pragas, doenças e plantas invasoras; e recuperação das propriedades produtivas do solo. Assim, a técnica promove a recuperação e renovação de pastagens degradadas e a recuperação de lavouras degradadas, propiciando o uso eficiente da terra [Galharte e Crestana (2010)].


O sistema de integração agrossilvipastoris (ILPF) é outra estratégia de produção sustentável que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais, realizadas na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado. Esse sistema busca efeitos sinergéticos entre os componentes do agroecossistema, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e a viabilidade econômica [Balbino, Barcellos e Stone (2011)].


Em virtude do papel reconhecido das árvores em crescimento no sequestro de carbono e, consequentemente, na mitigação da emissão de gases do efeito estufa, os sistemas de ILPF são considerados especialmente relevantes para a região do Cerrado. Nas duas últimas décadas, o eucalipto estabeleceu-se no Cerrado, em combinação com culturas de arroz e de soja nos primeiros dois anos, seguido de pastagens de braquiária e gado de corte a partir do terceiro ano. Vale ressaltar que estudos recentes indicam que os sistemas agrossilvipastoris armazenam maior quantidade de carbono do que os sistemas praticados de forma isolada, tanto na superfície quanto abaixo do solo [Nair et al. apud Kumar e Nair (2011)].


Dessa maneira, a interação de sistemas produtivos com ecossistemas florestais ou de mata nativa são interessantes tanto para aumento da produtividade e diminuição de custos operacionais quanto para a manutenção da biodiversidade local.




REFERÊNCIAS:


Fernando Salgado Bernardino e Rasmo Garcia, Sistemas Silvipastoris https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/37617/1/Sistema-silvipastoris.pdf


Panorama da Pecuária Sustentável, BNDES Setorial 36, p. 249-288, Gisele Amaral, Frederico Carvalho, Luciana Capanema e Carlos Augusto de Carvalho. https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/1491/3/A%20set.36_Panorama%20da%20pecu%c3%a1ria%20sustent%c3%a1vel_P.pdf

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