Estresse Térmico em Bovinos de Leite

O Brasil é um país de extensão continental apresentando um clima diversificado e abrangente, podendo atingir temperaturas amenas e muito quentes até mesmo em uma mesma região. Certamente, essa grande variação tem um impacto direto tanto nos animais de companhia quanto nos de produção, se destacando entre eles os bovinos leiteiros.


No cenário mundial, o Brasil corresponde ao sexto maior produtor de leite; cerca de 1,3 milhão de produtores no ramo; uma produção média de 27,5 bilhões de litros por ano, o que resulta na movimentação de cerca de R$ 64 bilhões de reais por ano e empregando 4 milhões de pessoas. Dessa maneira, é evidente como a produção leiteira é uma atividade econômica de grande relevância no país e que tem apresentado, nos últimos anos, um crescimento vertiginoso no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, regiões tipicamente mais quentes no país. Essa migração regional produtiva se torna um novo desafio para produtores, pois agora precisam conseguir manter e aumentar uma boa produção leiteira mesmo com um ambiente que pode se apresentar hostil para tal atividade.

Fonte: https://www.comprerural.com/relacao-do-estresse-termico-fertilidade-das-vacas/


As diferentes raças, tamanhos, tipo de produção, alimentação e até mesmo cor das vacas leiteiras, são alguns dos fatores que têm uma influência direta na tolerância de um animal ao calor ou frio. Sendo assim, apesar de haver uma variação na tolerância térmica de cada animal, todos estão suscetíveis a sofrer estresse térmico, um dos principais

responsáveis pela queda na produção de leite. No Brasil, o calor é o principal responsável por promover tal condição, no qual estudos apontam que o aumento de 1ºC resulta, em média, um decréscimo de 1,8kg de produção por dia, culminando na extrema importância de que ao estabelecer uma bovinocultura de leite, o produtor se atente em adequar as estruturas e manejo de sua fazenda para que melhore o conforto e a produção desses animais, fatores que impactam diretamente no sucesso do mesmo.


Sendo assim dentre algumas medidas importantes para conter o estresse térmico temos: a oferta constante de água fresca e de qualidade para os animais; um bom manejo nutricional; sombra (árvores no pasto ou instalações); um pé direito alto em estruturas; utilização de telhas de barro em telhados (se possível de coloração branca); utilização de

sistemas de resfriamento (ventilação com aspersão e nebulização em free stall, por exemplo); telhado em formato de ‘’V’’ invertido, com abertura no vão central (lanternim); e direcionamento Leste-Oeste das instalações. É evidente que esses são apenas alguns exemplos de como melhorar as condições térmicas para os animais, contudo existem diversas outras que se adaptam de acordo com a oferta de recursos do produtor e o perfil de sua propriedade.


Vale ressaltar que um método muito interessante para melhorar a tolerância ao calor das vacas se dá através da seleção e melhoramento genético. A utilização dessas técnicas viabiliza a melhor seletividade dos animais, garantindo uma melhor correlação entre a adaptação do animal ao ambiente e a manutenção de sua alta produtividade. Um exemplo disso seria o cruzamento entre o holandês com o guzerá (guzolando) ou com gir (girolando), formando animais mais resistentes ao estresse térmico.


Além do impacto direto na produção de leite, animais que sofrem estresse calórico podem apresentar outros sinais característicos, como temperatura retal acima de 39,4 °C; frequência respiratória maior que 80 movimentos por minuto (em casos extremos com a boca aberta e língua para fora); reduzir em até 10% a ingestão de alimento; deficiência em

algumas funções reprodutivas e no desenvolvimento embrionário; favorecimento da ocorrência de algumas doenças uterinas; produção de espermatozoides reduzida e aumento da proporção de espermatozoides com morfologia anormal.


Portanto, todos esses fatores evidenciam como o manejo do bem-estar térmico dos animais é um fator crítico quando tratamos principalmente de bovinos de leite, impactando o sistema produtivo como um todo. As opções de investimento para solucionar tal problema são inúmeras e essenciais, tendo um impacto direto na produtividade e saúde dos animais de uma produção.


Referências:


FLAMENBAUM, ISRAEL. Estresse térmico e efeitos do resfriamento na economia das fazendas - Parte I - perdas econômicas. MilkPoint, 2019. Disponível em: <https://www.milkpoint.com.br/colunas/cowcooling/estresse-termico-e-efeitos-do-resfriamento-na-economia-das-fazendas-leiteiras-parte-i-216879/>. Acesso em: 08/10/2020.


https://agroceresmultimix.com.br/blog/estresse-termico-gados-de-leite/#:~:text=Animais%20em%20estresse%20cal%C 3%B3rico%20apresentam,rebanho%2 0esteja%20manifestando%20sinais%20de


https://www.bb.com.br/docs/pub/inst/dwn/Vol1BovinoLeite.pdf


https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/1514/1/A%20mar37_09_Produ%C3%A7%C3%A3o%20leiteira%20no%20Brasil_P.pdf


https://www.milkpoint.com.br/colunas/educapoint/video-por-que-o-calor-afeta-a-reproducao-de-bovinos-leiteiros-106657n.aspx#:~:text=De%20fato%2C%20os%20dados%20epidemiol%C3%B3gicos,placenta%2C%20metrite%20e%20endometrite).

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