Criação e manejo de coelhos

Primeiramente, a reprodução de coelhos tem crescido devido ao desenvolvimento do mercado pet, isso se dá a sua característica de alta prolificidade e fácil manejo. Logo, é necessário um aprimoramento das técnicas reprodutivas, portanto, é necessário investir no conhecimento da espécie e em um manejo adequado desde o nascimento até os cuidados com o ambiente, nutrição e técnicas reprodutivas.

Os coelhos, de maneira geral, são mais sensíveis ao calor que ao frio, a temperatura recomendável varia de 17 ºC a 21 ºC, apresentam um comportamento dócil, porém pode morder ou arranhar devido a contenção incorreta. São susceptíveis ao estresse, assustando-se facilmente. Os machos são territorialistas, portanto deve-se evitar manter machos adultos em uma mesma gaiola para evitar brigas. As fêmeas adultas também não devem ser mantidas na gaiola por apresentarem pseudogestação. É comum que ocorra a pseudogestação, em virtude da presença do macho ou quando montada por outra fêmea, que provoca estímulos que determinam a ovulação e o corpo lúteo, ocorrendo secreção de progesterona, que vai promover o aumento das mamas e o início da retirada dos pelos do abdômen para fazer o ninho.

Em relação a nutrição, muitos acreditam que os coelhos são roedores, porém eles são herbívoros que se alimentam de verduras escuras como rúcula, almeirão, alfafa, couve, dentre outras, sendo complementada com uma ração de boa qualidade, balanceada e peletizada. Como particularidade o coelho apresenta baixo peristaltismo intestinal, necessitando ingerir ração com nível adequado de fibra, para evitar transtornos intestinais. Também é necessário evitar administrar alimentação farelada pois os coelhos correm o risco de inalar alguma partícula da ração, levando a uma pneumonia por aspiração (MOURA, 2007). Ademais, é de extrema importância o fornecimento de feno, para manter a saúde do sistema gastrointestinal e o desgaste dos dentes incisivos (FERREIRA; W, N. et al, 2012), uma vez que crescimento do incisivo é rápido, de aproximadamente 0,5 cm por ano, motivo pelo qual o animal deve ter contato com materiais que possa roer, logo, o crescimento excessivo dos incisivos provoca má oclusão dentária.

Como particularidade, os coelhos possuem uma estratégia alimentar única entre os animais domésticos, que é conhecida como cecotrofia, em que ocorre a ingestão direta do ânus de cecotrófos, oferecendo um aporte adicional de proteínas, vitaminas C, K e do complexo B produzido no ceco do animal.

Fonte: https://www.farmfor.com.br/posts/cunicultura-maiores-produtores-mundiais-de-carne-de-coelho/


Com foco na reprodução, vale destacar que a fêmea é poliéstrica, podendo ser coberta a qualquer época do ano, a sua gestação da coelha dura em média 31 dias. Para acasalamento, os machos e as fêmeas deverão ter, no mínimo, 6 meses de idade. Durante os 3 primeiros meses, o macho não deverá fazer mais de duas coberturas por semana. O método de diagnóstico para confirmar à gestação é a palpação ventral da fêmea, sendo realizada com a mão sobre o ventre da coelha e com o dedo polegar de um lado e o indicador do outro o técnico ir pressionar suavemente de trás para frente (COUTO, 2002). A amamentação dos filhotes varia de uma a duas vezes por dia, necessitando de um ambiente calmo, com água fresca e alimentação adequada. (FERREIRA; W, N. et al, 2012). Dessa forma, até a segunda semana, os coelhos se alimentam exclusivamente do leite materno. Da segunda à terceira semana começam a provar os alimentos sólidos, porém ainda se nutrem principalmente do leite. A partir dos 21 dias, ingerem cada vez mais sólidos e bebem água, reduzindo a ingestão láctea. Por isso, a água deve ter alcance facilitado para o filhote, pois este sentirá sede.

Dessa forma, fica evidente que os coelhos apresentam particularidades no seu comportamento, nutrição e reprodução, sendo necessário investir no manejo adequado para atingir as expectativas do mercado pet.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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