A proteína na aquicultura

Segundo o relatório do Banco Mundial (2013), cerca de 62% dos peixes para o consumo humano vieram da aquicultura até 2010. Já no Brasil a aquicultura cresce a passos largos, em 2008, essa atividade contribuiu com 27,2% da produção total de pescado, sendo que essa produção vem aumentando desde 1995 acima da média mundial (FAO, 2010). Dessa forma, podemos afirmar que a aquicultura brasileira se tornou um mercado em expansão. Contudo, para uma aquicultura de qualidade a nutrição desses animais é de extrema importância para a produção, principalmente quando falamos da proteína que será oferecida.

As proteínas são nutrientes de extrema importância na aquicultura, uma vez que, além de participar participa de diversas funções fisiológicas são a principal fonte de energia para o metabolismo dos peixes. Além disso, as proteínas consumidas pelos peixes são de grande interesse para nós, já que elas serão os tijolos utilizados pelo organismo para formar a carne do animal. Ainda elas são responsáveis pela manutenção dos tecidos, formação de hormônios, atividade enzimáticas e pelo transporte de minerais. Assim, é importante que a dieta utilizada na produção supra a exigência proteica e o perfil aminoácido específicos para a espécie que se deseja produzir.

Visto sua importância para os peixes, a proteína também se apresenta como um grande gargalo na aquicultura devido ao seu alto custo em relação aos demais ingredientes. Dessa forma, é indicado ao produtor optar por uma proteína de boa qualidade, ou seja, uma proteína de alta digestibilidade e com um perfil aminoácido que atenda às necessidades da produção, evitando-se assim, uma alta despesa numa proteína que não será bem aproveitada pelos animais, e não possibilitará que os mesmos desenvolvam todo o seu potencial genético para produção.



Tanques de criação de tilápia (Tailândia). Foto: Daracha Thiammueang / Shutterstock.com


Além da quantidade de proteína disponível, chamada de Proteína bruta (PB), deve-se também levar em consideração o perfil de aminoácidos da dieta, que são justamente os tijolinhos que compões as proteínas, e podem fazer uma tremenda falta se estivessem abaixo de seus níveis mínimos.

Para se determinar a exigência proteica ser utilizada na ração, muitos fatores devem ser considerados, tais como: temperatura da água, taxa de arraçoamento, qualidade da fonte proteica, forma de criação, espécie a ser criada e a fase de crescimento dos animais. Peixes jovens que estão em fase de crescimento necessitam de um maior aporte proteico para se desenvolverem em relação a peixes adultos; peixes criados dentro de uma faixa de conforto térmico necessitam de um maior aporte proteico para um bom desenvolvimento; a forma de criação também interfere na exigência proteica, uma vez que, criações onde se tem a oferta de alimento natural, como ocorre nos viveiros escavados resultam em uma menor exigência proteica. Além disso, devemos levar em consideração que cada espécie de peixe possui um perfil aminoácido diferente, exigindo uma dieta especifica para a sua espécie, por exemplo, peixes com hábitos carnívoros como o Apaiari, Pacamã e o Matrinchã necessitam de um maior aporte proteico, enquanto peixes onívoros ou herbívoros não. No trabalho realizado por Santos et al. (2010) foi observado que o melhor desempenho produtivo foi encontrado em dietas contendo 36% de proteína bruta para Tambaquis.

Outro fator a se considerar na dieta dada aos animais, é a fonte proteica selecionada para a produção da ração. Ao se selecionar a fonte proteica, como farelo de soja, farinha de peixe ou farinha de penas, deve-se levar em consideração a qualidade destes produtos, seu custo benefício e sua digestibilidade. Uma fonte de boa qualidade é aquela que possui uma maior quantidade de aminoácidos essenciais em sua composição, e quanto a digestibilidade, uma fonte de maior digestibilidade será melhor aproveitada pelo organismo, já que o peixe será capaz de absorver uma maior quantidade de aminoácidos.

Assim, podemos dizer que a proteína é o principal nutriente para a aquicultura, sendo necessário ao produtor um conhecimento aprofundado sobre o tipo e a quantidade ideal a ser utilizada para a sua produção. Dessa forma, é sempre recomendado que os produtores procurem a ajuda de um profissional da área para a realização da formulação da ração a ser oferecida.



Referência:

Charlyan de Souza LIMA, Mariana Molica SILVEIRO, Guisela Mónica Rojas TUESTA; Nutrição Proteica Para Peixes; Ciência Animal 25 (4): 27-34; 2015.

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