Nutrição de Potros

June 12, 2020

O Brasil possui o maior rebanho de eqüinos da América Latina, sendo o terceiro maior criador de cavalos do mundo e movimentando cerca de 7,3 bilhões de reais por ano. Esse número vem crescendo cada dia mais devido ao uso do cavalo para trabalhos, sendo no campo ou na cidade, e para fins esportivos. Com isso fica cada vez mais importante aumentar os conhecimentos nas áreas nutricionais e fisiológicas desses animais.

 

A vida do cavalo pode ser divida em três períodos, sendo eles a infância, ou período de crescimento, a idade adulta, ou período de estacionamento, e o período de velhice, ou de decrescimento. Dentro dessas fases cada uma necessita de exigências nutricionais diferentes e vale ressaltar que o equilíbrio nutricional e o manejo alimentar devem ser adaptados, também, conforme o tipo de trabalho físico desempenhado pelo animal durante a sua vida.

 

A nutrição, durante toda a vida de um eqüino, é um fator crucial para o seu desenvolvimento e o seu desempenho físico. As preocupações com o manejo nutricional devem começar durante a gestação do potro, onde a égua deve estar bem nutrida, em relação a proteínas, minerais e principalmente cálcio e fósforo, para que o potro não tenha problemas após seu nascimento e para que a égua não tenha sua produção de leite reduzida. (FRAPE, 2016).

 

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Nas primeiras semanas de vida de um potro, a sua principal fonte de nutrientes e vitaminas serão o colostro e o leite materno, sendo que a ingestão do colostro é fundamental para o desenvolvimento da imunidade do animal e para o crescimento da população microbiana no seu trato gastrointestinal, tendo que ocorrer em até 24 horas após seu nascimento.  Além disso, o leite materno atende todas as exigências nutricionais até os quatro meses de vida do potro, logo após isso o leite deixa de apresentar as concentrações adequadas de nutrientes requeridas pelo animal, passando assim a ser necessário o fornecimento de suplementos e rações específicas, a fim de suprir essas necessidades nutricionais.

 

Nessa época da vida do animal, é de extrema importância o fornecimento de uma dieta balanceada, pois até os seis meses de vida eles alcançam cerca de 80% de sua altura final. Nessa fase, começa a introdução do creep feeding, um manejo alimentar que busca oferecer uma dieta rica em proteínas e otimizar o crescimento do animal. Esse tipo de alimentação, muitas vezes recomendada por um profissional da área de nutrição eqüina, deve ser fornecida para que o animal tenha maior ganho médio de peso diário e apresente menor estresse durante o período de desmame.

 

O período de desmame pode ser considerado a fase mais estressante da vida de um eqüino, podendo assim ter influências negativas quanto ao crescimento e ao consumo de alimentos. Esse estresse pode diminuir a imunidade do animal e aumentar a susceptibilidade do mesmo a infecções e até mesmo ao surgimento de gastrite. Portanto, é de extrema importância o acompanhamento do potro durante essa fase da vida, sendo normal a perda de peso e o estacionamento no ganho de altura. É muito importante também que não se tenha sobrepeso nessa fase, pois esse fator pode favorecer o surgimento de Doenças Ortopédicas do Desenvolvimento, pois sobrecarrega as articulações do animal. 

 

Em casos de desmame em piquete, o pasto verde e de qualidade e o fornecimento de sal mineral é indispensável neste período, para que se possa cumprir as exigências nutricionais específicas dessa categoria.

 

Após os 12 meses, a taxa de crescimento diminui consideravelmente, e as exigências nutricionais dos eqüinos passam a mudar, pois é quando eles começam a ter maior aproveitamento e absorção de nutrientes oriundos de volumosos, pois o ceco, sua câmara fermentativa já está mais desenvolvida. O fornecimento de concentrado e volumoso nessa fase passa, portanto, a ser determinado conforme o tipo de atividade que o cavalo realiza, sendo que animais que passam a treinar mais intensamente nessa fase precisam de mais energia disponível no alimento.

 

Vale ressaltar que o fornecimento de elevadas quantidades de volumoso, sendo eles de baixa qualidade, não é recomendado, e que forragens, grãos e rações de alta qualidade devem ser utilizados para fornecer fontes mais concentradas de energia, proteína, vitaminas e minerais, lembrando que quanto mais jovem o cavalo, mais nutritiva deve ser sua dieta.

 

Dentro desse contexto, pode-se concluir que para elaboração de um programa alimentar adequado para potros, levar em consideração as exigências nutricionais e a fase da vida em que esse animal se encontra é de extrema importância para que se tenha um desenvolvimento balanceado e para se evitar o surgimento de Doenças Ortopédicas de Desenvolvimento.

 

 

 

REFERÊNCIAS

APTER, R.C. Weaning and weaning management of foals: a review and some recommendations. Journal of Equine Veterinary Science, v. 16, n.10, p.428-435. 1996.

CAMARGO, M.X., CHIEFI, A. Ezoognósia: exterior dos grandes animais domésticos. São Paulo. IZ, 1971, 320p.

CAMPOS, Brenda Maria Silva. Nutrição e manejo alimentar de potros de zero a doze meses. 2018.

FAUBLADIER, C.; SADER-BOURGETEAU, S.; PHILIPPEAU, C.; JACOCOT, E.; JULLIAND, V. Molecular monitoring of the bacterial community structure in foal feces pre- and post-weaning. Anaerobe. v. 25, p. 61-66, 2014.

FRAPE, D. Nutrição e alimentação de equinos. 3ª Ed. São Paulo/SP: Roca, 2016. 602p.

GIBBS, P. G.; POTTER, G.D. Feeding Young Horses for Sound Development. Texas Cooperative Extensions; The Texas A & M University System. 1993. 20p.

HINTZ, H. F.; HINTZ, R. L.; VAN VLECK, L. Dale. Growth rate of thouroughbreds. Effects of age of dam, year and month of birth, and sex of foal. Journal of animal science, v. 48, n. 3, p. 480-487, 1979.

SOARES, F. A.P. Nutrição de Potros. Rural Pecuária, 2012. Disponível em: http://ruralpecuaria.com.br/tecnologia-e-manejo/equinos-muares/nutricao-de-potros.html Acessado em 16 de abril de 2020.

PHILLIPS,S. P. [2016]. Feeding Foals. Disponível em: Acesso em: 02/06/2016.

VIEIRA, E. R.; REZENDE, A. S. C.; LANA, A. M. Q; BARCELOS, K. M. C.; SANTIAGO, J. M.; LAGE, M. G.; FONSECA, J. A. G. Caracterização da equideocultura no estado de Minas Gerais. Arquivos Brasileiros de Medicina Veterinária e Zootecnia. v. 67, n.1, p.319-323, 2015.

WARREN, L.K. Feeding young horses for sound growth. Canadian Horse Journal, Canada, november, 2013. 5p.

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