Febre do Nilo Ocidental: entenda a relevância da doença e o crescimento de números de casos no Brasi

A Febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral causada pelo vírus do Nilo Ocidental (VNO), que pertence ao gênero Flavivírus e à família Flaviviridae. Esse vírus pode ser transmitido por meio da picada de mosquitos infectados, principalmente, do gênero Culex, os mesmo transmissores de doenças como Dengue, Zika e Chikunguya, sendo considerado fator de risco a presença de humanos em áreas rurais e silvestres.

Os hospedeiros naturais são algumas espécies de aves silvestres, que atuam como amplificadoras do vírus e como fonte de infecção para os mosquitos. Os mosquitos também podem infectar humanos, equinos, primatas e outros mamíferos. O homem e os equídeos são considerados hospedeiros acidentais e terminais, ou seja, eles encerram o ciclo porque raramente transmitem o vírus, isso porque a sua viremia é baixa, isto é, o animal infectado tem pouca presença de vírus no sangue, assim quando o mosquito (vetor) pica-o novamente a quantidade de vírus presente no sangue não é o suficiente para que o mosquito (vetor) infecte outro hospedeiro, encerrando o ciclo de transmissão.

Fonte: https://saude.gov.br/saude-de-a-z/febre-do-nilo-ocidental


Essa doença pode ser assintomática ou apresentar sintomas distintos que variam de acordo com a pessoa e com a gravidade da doença. A forma leve da doença inclui sintomas como: febre aguda, mal-estar, anorexia, náuseas,vômitos, dor nos olhos e de cabeça, exantema maculo-papular e linfoadenopatia. Já a forma mais grave, que acomete geralmente pessoas comidade superior a 50 anos, apresenta quadros de doenças neurológicas severas como encefalite, meningite e poliomelite. Estudos apontam que um em cada 150 indivíduos infectados desenvolve quadros neurológicos, sendo a encefalite mais comum.

O vírus do Nilo ocidental foi primeiramente isolado em 1937, a partir do sangue de uma mulher infectada na região nordeste de Uganda, às margens ocidentais do rio Nilo. Os primeiros casos da doença no hemisfério ocidental surgiram em agosto de 1999, nos EUA, quando algumas pessoas começaram a apresentar doença febril associada á alteração do nível de consciência, fraqueza muscular intensa e, posteriormente, um quadro de meningoencefalite humana. Já em 2001 o país apresentou 66 casos de meningoencefalite epidêmica causada pelo vírus, e em 2002 foram registrados 4.161 casos em 44 Estados norte americanos com 277 mortes.

O primeiro caso humano registrado de Febre do Nilo Ocidental no Brasil foi documentado em 2014, no Estado do Piauí, onde um homem apresentou quadro de encefalite e foi testado positivo. Após este caso deu-se início a uma investigação, incluindo a cadeia de transmissão, como aves domésticas e silvestres, equídeos, mosquitos e o homem, com ênfase na região do Piauí.

Em abril de 2018, foram registradas epizootias de equinos com manifestações neurológicas, notificadas ao Ministério da Saúde pela Secretaria de Saúde do Estado do Espírito Santo (SES/ES), que por sua vez foram coletadas amostras de sangue, soro e tecidos que testaram positivo para FNO. Já em 2019 um caso também com quadro neurológico foi confirmado no Estado de São Paulo.

O caso mais recente registrado, em humanos, foi em abril de 2020, totalizando sete casos no Estado do Piauí desde o primeiro registro.