Bioclimatologia Animal e Ambiência

      O desempenho produtivo e reprodutivo dos animais depende do manejo empregado, envolvendo o sistema de criação, a nutrição, a sanidade e as instalações. No entanto, alguns produtores focam mais seus custos e investimentos na área de genética e alimentação, uma vez que as construções de instalações na maioria das propriedades são focadas para facilitar o trabalho do produtor e não busca favorecer o conforto do animal.

    Atualmente a demanda por informações sobre Bem-Estar animal vem crescendo conforme se discute a importância desse tópico para aumentar o desempenho dos animais de produção. Estudos apontam que bovinos leiteiros produzem até 14% mais de leite quando se encontram em ambientes calmos do que os que se encontram em estresse.

   Mesmo em ambientes que não tenham finalidade produtiva, os animais dependem da sua capacidade de regular sua temperatura corporal para sobrevivência, em um processo denominado homeotermia. A Bioclimatologia Animal tem como principal objetivo entender as relações entre os elementos climáticos e a fisiologia animal e vem ganhando importância no meio científico para vencer as barreiras impostas pelo ambiente sobre a expressão do potencial genético dos animais (AZEVÊDO, ALVES, 2009).

     As condições naturais do ambiente que interferem nos níveis de produção são o clima, o solo, a vegetação, os parasitas e as doenças, sendo o clima a principal condição do ambiente uma vez que esse não pode ser alterado. No clima tropical, como do Brasil, caracterizado por temperaturas mais elevadas e com forragens com baixo valor nutritivo, os animais de produção devem apresentar tolerância ao calor, boa capacidade de pastejo e alta conversão de alimentos, além de precisarem ser resistentes a parasitas comuns nessas áreas.

     Os animais homeotérmicos possuem sua zona de conforto térmico, que depende de fatores como peso, idade, estado fisiológico, tamanho do rebanho, os níveis de alimentação e sua genética, além dos fatores ligados ao ambiente como temperatura, umidade relativa do ar, velocidade do vento, dentre outros. Esses animais também possuem a capacidade de manter sua temperatura interna estável, independente da temperatura do ambiente, mas mesmo assim precisam de ajustes fisiológicos para realizar essa ação. Quando os animais precisam ajustar sua temperatura corporal eles utilizam sua energia de mantença, ou seja, tiram a energia que poderia ser utilizada para manter sua produção e até mesmo a parte de reprodução. Sendo assim, recomendam-se cuidados com o estresse térmico dos animais, visando o bem-estar do mesmo, podendo diminuir perdas de produção.

    Para diminuir o estresse térmico causado pelo clima em algumas regiões existem diversas alternativas para modificação ambiental. Uma delas é a ventilação natural, podendo ser fornecida pelo aumento de altura do pé direito das instalações, ou a ventilação forçada que usa técnicas que favorecem a dissipação do calor por convecção. Há também a ventilação pelo uso de nebulização e aspersão, onde o ar é lançado com uma névoa de água que evapora antes de atingir os animais, e pelo uso do ar resfriado em ambientes fechados.

     Já o fornecimento de sombra aos animais é uma forma essencial para se reduzir perdas na produção, e pode ser realizado com o plantio de árvores ou com a construção de estruturas em pastos onde há incidência alta de luz solar. No entanto, para construção dessas instalações é necessário que se estude o clima da região, se atentando sempre a inclinação, a altura e a orientação do eixo-longitudinal. É importante também fornecer comedouros cobertos em casos de fornecimento de concentrado. Nesses casos a pintura dos telhados, e até mesmo o material usado nessas instalações vão interferir na funcionalidade e no conforto animal.

      Além disso, em alguns locais também se utilizam estratégias nutricionais para diminuir o estresse térmico dos animais. Por exemplo, o fornecimento de dietas frias em períodos mais quentes do ano ou até mesmo o fornecimento dessas dietas em horários mais frios do dia. Vale ressaltar que o consumo de água deve ser á vontade e sempre com uma água de boa qualidade. Há pesquisas que já comprovam a eficiência de algumas estratégias reprodutivas que aliviam o estresse térmico, como restringir o período da monta em horários menos quente, e até realizar a inseminação em horários pré-estabelecidos.

 

     É de extrema importância lembrar que cada região tem suas especificidades em relação ao clima, sendo assim, cada propriedade tem necessidades diferentes relacionadas ao estresse térmico dos animais e sua relação com dos níveis de produção. A EMVEP Jr. realiza consultorias nessa área de atuação, para mais informações entre em contato conosco!

 

 

Referências:

ARÉCHIA, C.F.; STAPLES, C.R.; STAPLES, C.R.;  MACDOWELL, L.R., et al. Effectiveness of a timed artificial insemination (TAI) program and suplemental feeding of beta carotene on a reproductive funtion of heat stressed dairy cows. Journal Dairy Science, champaign, v.80, suppl. 1, p.239, 1997.

AZEVÊDO D.M.M.R, ALVES A.A, Bioclimatologia Aplicada à Produção de Bovinos Leiteiros nos Trópicos, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Embrapa Meio-Norte. Teresina, 2009.

BRAY, D. R.; BUCKLIN, R.A.; MONTOYA, R.E. et al. Modificaciones del medio ambiente para reducir la tension ambiental causada por el calor en vacas de leche. In: CONFERENCE INTERNACIONAL SOMBRE GANADERIA EN LOS TROPICOS, 1996, Tampa. Anais...Tampa, 1996. p.74-83.

MEDEIROS L.F.D, VIEIRA D.H, Apostila de Bioclimatologia, Ministério da Educação e Cultura, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Instituto de Zootecnia, Departamento de Reprodução e Avaliação Animal. Rio de Janeiro, 1997.

VALTORTA, S.E.; GALLARDO, M. El  estress por calor em produccion lechera. Temas de Produc. Lechera, n.81, p. 85-112, 1996.

 

 

 

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