Reprodução artificial na aquicultura

April 10, 2020

      

      A pesca consiste na retirada de meios naturais de forma extrativista e sem reposição de espécies aquáticas que vivem naquele ambiente, que a longo prazo pode se tornar prejudicial à fauna e a flora daquela região. A aquicultura é definida, pela Organização das Nações Unidas, como a criação e reprodução em cativeiro, em ambiente controlado, de espécies de vida aquática como peixes, crustáceos, moluscos e anfíbios destinados ao consumo humano.

    A demanda por pescado aumentou ao longo dos anos, sendo muito influenciada pela taxa de crescimento populacional do Brasil e do mundo, se tornando uma ótima e viável alternativa para a substituição da proteína de outras fontes animais na alimentação humana, por ser uma carne barata, que supre de forma ideal essa demanda de proteína diária, possuindo todos os nutrientes essenciais de consumo humano como vitaminas, aminoácidos e minerais.

    A aquicultura brasileira é uma criação que possui bastante potencial para se tornar uma referência mundial devido as suas diversas características naturais. Estas particularidades são a extensa reserva de água da América Latina, sendo que o Brasil possui a maior reserva de água doce do mundo, e consequentemente uma grande biodiversidade que abrange espécies de água doce e salgada, além do país também possuir mais de 7 mil km de costa e a maior bacia hidrográfica do mundo, a bacia Amazônica, com 8 mil km² de extensão.

   Apesar de apresentar uma grande margem de crescimento ao longo dos anos e todo esse potencial para implementação destas criações no país, a aquicultura brasileira ainda encontra dificuldades em se destacar como produtor e exportador de pescado, principalmente quando comparado aos países que estão no topo deste setor como a China e a Índia.

    Essa dificuldade brasileira em se desenvolver efetivamente no setor está vinculado principalmente ás tecnologias que são empregadas atualmente, sendo que já se tornaram obsoletas e primitivas. Outra adversidade é principalmente a falta de conhecimento efetivo sobre esse tipo de criação, a fisiologia dos peixes e de como melhor atender suas necessidades de alimentação, bem-estar e reprodução e cuidados para prevenir doenças e infecções. Desta forma é imprescindível que haja o emprego e investimento em novas tecnologias e ferramentas que garantam o sucesso da criação comercial.

 

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   Para que os resultados da criação de peixes em cativeiro sejam satisfatórios é importante que todas as etapas de criação respeitem as particularidades especificas de cada espécie aquática, em relação a sua alimentação, ambiente de criação, temperatura ideal e condições ideais de reprodução. Um dos fatores que determinam o sucesso de uma criação é a reprodução, processo pelo qual os peixes irão se multiplicar e dar continuidade a sua linhagem genética, gerando novos descendentes. Consequentemente para se obter uma produção de qualidade é fundamental se investir nos alevinos. A reprodução pode ser realizada de forma natural ou artificial.

   A reprodução natural consiste em permitir que os peixes sigam o curso natural e seu instinto animal. A fêmea irá depositar seus ovos na água e o macho em seguida será responsável por fertilizá-los, depositando, também na água, seu esperma. Estas fêmeas irão desovar em ninhos colocados estrategicamente em seus locais naturais, ou através da imitação das condições naturais de desova em viveiros artificiais pequenos.

    A reprodução artificial sendo em cultivo intensivo ou semi-intensivo pode ser realizada através de diversas técnicas diferentes, práticas e mesmo fáceis de serem implementadas, não sendo necessário instalação de instrumentos sofisticados. Entre todos os tipos de processos que podem ser empregados, os mais utilizados e com melhores resultados obtidos são basicamente o controle e indução da fecundação e acompanhamento dos processos de incubação e produção de larvas e alevinos para que haja a garantia de uma grande taxa de produção e de sobrevivência destes animais em sua etapa inicial de vida.

    A indução reprodutiva em peixes pode ser realizada a partir da aplicação de diversos hormônios como o hormônio gonadotrófico coriônico (HGC) e, hormônio liberador de gonadotrofina (GnRHs) e antagonistas de dopamina. Na maioria das criações comerciais estes hormônios são aplicados pelo método de hipofisação que consiste na retirada da hipófise de um peixe doador, normalmente carpas, maceração e utilização deste órgão após ser desidratada de forma a se obter um extrato bruto em solução fisiológica, que poderá então ser inoculado nos peixes de uma produção.

Na natureza os estímulos ambientas são os responsáveis por estimular o hipotálamo a secretar hormônios que induzem estimuladores gonadais que atuarão nos sistemas reprodutivos destes animais provocando a maturação sexual e liberação de seus gametas na água. Quando esses peixes estão em cativeiro muita dessa estimulação gonadal é perdida, sendo necessário que se faça esse tipo de estimulação artificial.

    Este método de hipofisação é bastante difundido, pois é simples e necessita de pouco material para manipulação, além de possuir diversas outras vantagens como por exemplo, a falta de necessidade de se resfriar o material preparado, a simplicidade do cálculo de dosagem, baseado no peso corporal do doador e do receptor, e ainda a presença de outros hormônios poderem ter efeito sinérgico na indução. Entretanto a desvantagem é que não há quantidade padronizada de hormônio presente em cada hipófise, a possibilidade de a matriz receptora desenvolver reação imune ao extrato, além da transmissão de doenças de doador a receptor através da substância. Apesar dessas considerações, com esse tipo de estimulo os peixes irão entrar em processo de maturação final de forma mais rápida, fazendo com que a ovulação e a desova aumentem substancialmente.

    Após a estimulação gonadal o processo pode prosseguir de duas maneiras, a primeira com a liberação do óvulo pela fêmea e fertilização deste pelo macho sem a interferência do piscicultor, podendo ser chamado de método de “reprodução induzida com desova natural”. Este método apresenta desvantagens como a necessidade de retirada dos ovos do tanque que pode prejudicar os embriões e levar a infecções fúngicas, aumentando assim a taxa de perda destas ovas.

   Dependendo da espécie, em cativeiro esta desova espontânea não irá acontecer, sendo necessário então que o produtor auxilie nesta parte do processo, realizando a retirada dos gametas de forma manual por extrusão. Esta é a técnica mais utilizada no Brasil.

   A desova por extrusão tem como vantagem a dispensa de tanques especiais para desova, facilidade de manejo dos ovos fertilizados, além de permitir o manejo dos gametas para realização de melhoramento genético e cruzamento entre gêneros diferentes.

    Essa técnica consiste na retirada das fêmeas imediatamente após sua ovulação, quando os óvulos estão soltos na luz do ovário, e através de uma pequena pressão abdominal que induz a saída destes óvulos. Para se retirar o sêmen o mesmo procedimento é realizado com os machos. Cada gameta fica armazenado em recipientes diferentes para posteriormente serem misturados.

      A etapa de fertilização pode ser realizada a seco, ou seja, não há contato com a água, e tem a vantagem de ampliar o tempo de manejo destes gametas, uma vez que estes só serão ativados quando forem colocados em contato com a água. Isso possibilita a separação e quantificação da desova, segmentação em diferentes incubadoras e aumento da taxa de fertilização. Após todo processo de mistura ter sido finalidade se adiciona água para concluí-lo.

    As ovas são direcionadas para incubadoras apropriadas, onde permanecerão incubados até atingirem seu estágio larval ou ainda de alevinos. As incubadoras possuem a função de manter um microambiente adequado para o melhor desenvolvimento destas ovas, através da manutenção de uma temperatura apropriada, alto fornecimento de oxigênio, sanidade sanitária com limpeza adequada da água e fluxo controlado. Assim é possível se evitar danos as ovas ali presentes e diminuir ao máximo o número de perdas em comparação a postura em ambiente não controlado.

     As novas descobertas e aperfeiçoamento das técnicas reprodutivas culminam no crescimento do setor, definindo protocolos que permitem a existência de um controle de todas as etapas de produção. Devido as características climáticas, hídricas e sociais que nosso país reúne, apresenta condições que o favorecem a se tornar um grande produtor e exportador mundial de pescado. Portanto para que se ultrapasse a taxa de crescimento atual é fundamental que os produtores se qualifiquem para que adquiram conhecimento técnico e estejam capazes de aplicar técnicas como as detalhadas neste texto.

 

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REFERÊNCIAS

 

Andrade, D. R., Yasui, G. S. (2003). O manejo da reprodução natural e artificial e sua importância na produção de peixes no brasil. Rev. Bras. Reprod. Animal, v.27, n.2, p. 166-172

Bock, C. L., Padovani, C. R. (2000). Considerações sobre a reprodução artificial e alevinagem de pacu (Piaractus mesopotamicus, Holmberg, 1887) em viveiros. Acta Scientiarum 22, p. 495-501.

Colpani (2013), Reprodução artificial dos peixes. Disponível em <https://www.grupoaguasclaras.com.br/reproducao-artificial-dos-peixes> acesso em 30 de junho de 2019

EMBRAPA (20??). Pesca e Aquicultura. Disponível em: <https://www.criacaodepeixes.com.br/a-reproducao-artificial-de-peixes> acesso em 30 de junho de 2019

Filho, E. Z., Weingartner M. (2007). Técnicas de indução da reprodução de peixes migradores. Rev Bras Reprod Anim, v.31, n.3, p. 367-373.

Rodrigues, R. (2019). A reprodução artificial de peixes. Disponível em: <https://www.embrapa.br/tema-pesca-e-aquicultura/nota-técnica> acesso em 30 de junho de 2019

Streit Jr. D. P., Moraes, J. V., Ribeiro, R. P., Cardozo, R. M., Moreira, H. L. M. (2002). As tendências da utilização do extrato de hipófise na reprodução de peixes – Revisão. Arq. ciênc. vet zool, UNIPAR, p. 231-238

Woynarovich, E., Horváth L. (1983). A propagação artificial de peixes de águas tropicais: manual de extensão. Brasília: FAO/CODEVASP/CNPq

 

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