Biosseguridade na suinocultura

   

    A biosseguridade em granjas de suínos consiste em medidas para prevenir a entrada e propagação de doenças no rebanho. Isso deve-se a intensa seleção genética e aos progressos nas áreas de nutrição e manejo que viabilizaram a produção de um maior número de animais por área, exigindo dessa forma um cuidado especial com a sanidade (ROSTAGNO, 2003). Além disso, a intensificação do comércio de animais e seus produtos e a movimentação de animais de uma região para outra, representam riscos de propagação de agentes infecciosos de doenças transmissíveis. Em geral, mais de 95% (noventa e cinco por cento) dos casos de doenças em rebanhos ou sistemas de produção, tem associação direta com a entrada de animais (suínos ou de outras espécies animais), transporte, ração, água e material ou localização da granja, entrada de visitantes, roedores, insetos e pássaros.

       As principais medidas de biosseguridade adotadas pelas granjas são: o isolamento da granja, em distância segura, de possíveis focos de vetores; lavagem e sanitização das instalações; restrição de visitas; vazio sanitário entre cada lote; programa de vacinações; isolamento e tratamento de animais que adoecem; uso de água potável e tratada para alimentação dos animais, bem como para higiene, é indispensável, rigoroso controle de qualidade dos ingredientes de ração; tratamento correto dos efluentes e o destino adequado dos resíduos das pocilgas e dos animais que morrem na granja; boas práticas de manejo, bem-estar animal e capacitação dos operários.

 

 

          A imagem mostra uma sugestão de disposição dos equipamentos, fluxo de animais, pessoas e alimento dentro da granja (SafraES).A localização da granja é um fator indispensável na prevenção de algumas doenças, principalmente aquelas transmitidas através do ar.

         A localização deve ser escolhida com base nas informações em relação à densidade de suínos por área, tipo de doenças a serem evitadas, tamanho da granja de suínos mais próxima, tipo de produção (produção de leitões, engorda) padrões de temperatura e umidade da região e direção dos ventos predominantes que podem determinar as distâncias que os agentes patogênicos são capazes de serem potencialmente transmitidos.

         O controle de tráfego humano deve ser limitado através de cercas, portões, placas de proibição de visitas, permitindo somente o acesso de pessoas autorizadas na unidade de produção após banho, uso de macacão higienizado e botas, ou, na impossibilidade de banho completo, higienização adequada das mãos e dos braços. Funcionários do estabelecimento não devem criar suínos ou outros suídeos em sua propriedade, precisam ser submetidos a asseio especial (banho na entrada, uso de uniforme do estabelecimento, asseio durante o trabalho e banho na saída) e a exames médico periódico, pois podem ser portadores de zoonoses. Todos os veículos, tanto para transporte de animais, ração, funcionários e visitantes, devem passar por rodolúvios ou similares na entrada e saída e precisam ser submetidos à lavagem e desinfeção antes e depois de transportarem animais (EMBRAPA, 2017).

       A forma mais comum de contaminação do rebanho é através da aquisição de animais para reposição. Estes animais devem sempre ser adquiridos de uma granja certificada e que sigam as normas de boas práticas de produção. A introdução de animais trazidos de outros países e mesmo de outros continentes, traz consigo um razoável risco de doenças não existentes no país importador. Animais recém-adquiridos devem, preferencialmente, ser mantidos em quarentena, por um período correspondente ao período médio de incubação conhecido para a doença objeto dessa medida e/ou pelo tempo suficiente para realização de provas e testes diagnósticos. O período de quarentena constitui um elemento de manejo indispensável para a introdução de novos reprodutores em uma granja de suínos. A quarentena deva localizar-se do lado de fora do sítio de produção.

        Os procedimentos de limpeza e desinfecção variam de acordo com as instalações e o manejo adotado, mas alguns pontos são fundamentais na entrada de novos lotes: remoção completa dos animais e seus dejetos, desmonte dos equipamentos para facilitar a limpeza e penetração dos desinfetantes, lavagem das instalações e equipamentos, com o objetivo de retirar a matéria orgânica que protege os microrganismos e inativam alguns desinfetantes, enxágue das instalações para retirar os resíduos da primeira lavagem e ainda diluir os microrganismos carregando-os para fora dos equipamentos e instalações, desinfecção propriamente dita, utilizando produtos compatíveis com os materiais de constituição das instalações/equipamentos em dosagens adequadas ao objetivo, preparo das instalações para recepção do próximo lote, desinfecção final e vazio sanitário.

       Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 80% de todas as doenças que se alastram nos países em desenvolvimento são provenientes da água de má qualidade, mostrando a necessidade de fornecimento de água que seja adequada para o uso, pois além de sua importância como fonte de vida, esta pode participar na transmissão de inúmeras doenças, sendo algumas delas consideradas como importantes zoonoses. Portanto, a qualidade da água é um fator fundamental que deve ser considerado no processo de produção animal. A água de baixa qualidade afeta consideravelmente o desempenho produtivo dos animais. O suíno ingere água inúmeras vezes durante o dia, de modo que se um agente infeccioso entrar em um sistema, rapidamente poderá afetar muitos animais.

      A ração também pode ser uma importante fonte de contaminação. Agentes patogênicos podem estar inicialmente presentes em um dos ingredientes ou podem ser introduzidos quando a ração é misturada, durante a entrega ou armazenamento. A qualidade específica dos ingredientes e a ausência de microrganismos patogênicos nesses ingredientes são elementos chave. Amostra dos ingredientes devem ser analisadas regularmente para confirmar que agentes infecciosos não estejam presentes. Também é aconselhável verificar a presença de micotoxinas no milho e no trigo, pois essas causam imunossupressão, que permite o desenvolvimento de infecções bacterianas, virais ou parasitárias.

       A melhor maneira de se dispor de animais mortos é a incineração. Porém, atualmente, a medida recomendada é a compostagem, uma forma eficiente de eliminação de microrganismo. A compostagem é um processo pelo qual os microrganismos da natureza degradam a matéria orgânica. Conduzida corretamente, a compostagem não causa poluição do ar ou da água, permite manejo para evitar a formação de odores, destrói agentes patogênicos, fornece, como produto final, um composto orgânico que pode ser utilizado no solo, portanto, recicla nutrientes.

     Roedores, pássaros, moscas, mamíferos silvestres e domésticos constituem importantes fontes de transmissão de enfermidades. Todos devem ser controlados e mantidos o mais distante possível das instalações. Um programa efetivo e permanente de controle deve ser implementado. O controle é realizado com base em medidas ofensivas e defensivas. As medidas defensivas são aquelas relacionadas ao impedimento da entrada desses animais na granja e silos de armazenamento como telas nas janelas, combatendo os criadouros de insetos e roedores, evitando a disponibilidade de alimentos e as medidas ofensivas dizem respeito ao emprego estratégico de raticidas e inseticidas.

 

Referências Bibliográficas

  ROSTAGNO, M. H. Biossegurança: Biossegurança Suinocultura Sanidade. 1 p, 2003. Disponível em: <http://www.suino.com.br>. Aceso em 25/03/2020.

  EMBRAPA. Biosseguridade mínima para granjas de suínos que produzem animais para abate, 2017. Disponível em: <https://www.embrapa.br/suinos-e-aves/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1079559/biosseguridade-minima-para-granjas-de-suinos-que-produzem-animais-para-abate>. Acesso em 25/03/2020.

  SafraES. 2018. Pesquisadores propõem medidas para garantir a biosseguridade em granjas de suínos para abate. Disponível em: https://www.safraes.com.br/tecnica-no-campo/pesquisadores-propoem-medidas-garantir-biosseguridade-granjas-suinos-abate-1. Acesso em 25/03/2020

 

 

 

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September 4, 2020

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