Coronavírus e agronegócio: entenda como a pandemia afeta o mercado agropecuário no Brasil.

 A pandemia e o mercado

      O coronavírus como já elucidado em nosso site (https://www.emvepjr.com/single-post/2020/03/18/Coronav%C3%ADrus-por-que-tanta-preocupa%C3%A7%C3%A3o) é um vírus com alta taxa de transmissão. A transmissão ocorre pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas. Para evitar sua propagação países do mundo todo decidiram tomar medidas de controle, entre elas a suspensão de diversas atividades, a fim de evitar aglomerações.

           A COVID-19, que teve início na China, mostrou impactos não só na economia chinesa, apresentando quedas recordes na produção industrial, varejo e investimentos em ativos fixos, relatadas pelo Escritório Nacional de Estatística da China; mas também no mundo todo, como o corte provocado na taxa de juros americana pelo Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos), à proporção que os mercados de ações continuam em queda livre em todo o mundo.

             É indiscutível que as precauções adotadas são de extrema importância para assegurar a saúde da população. Mas também cabe destacar que as paralisações terão influência na economia mundial. Angel Gurría, secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em entrevista com à BBC, pressupôs que quase todas as grandes economias do mundo sofrerão declínio econômico por ao menos dois trimestres consecutivos.

            A entidade adverte aos países-membros que priorizem e ampliem gastos com  diagnóstico e tratamento de pessoas infectadas, para cessar o mais rápido possível a contaminação. Para eles, para enfrentar a pandemia atual os países deveriam: oferecer exames gratuitos para diagnosticar a doença, melhores equipamentos para profissionais de saúde, transferências de recursos para trabalhadores, incluindo os autônomos, e adiamento da tributação para empresas.

            A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) prevê que a pandemia pode custar à economia global cerca de US$ 2 trilhões neste ano, e que países que dependem da venda commodities, como é o caso do Brasil, estarão em uma situação crítica. Isso acontece pela queda na exportação, e pelo baixo valor atribuído a esses produtos, quando comparados a produtos que portam tecnologia. Segundo estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas, o PIB brasileiro pode recuar em torno de 4,4% em 2020.

          A alta do dólar favorece o Brasil quando nos referimos a exportação no cenário atual. Isso porque, anteriormente, quando o produtor teve gastos para produzir, o dólar estava baixo, e agora que ele venderá seu produto, o dólar aumentou, gerando certa lucratividade para quem exportará nesse momento. Resumindo, a queda nas exportações traz sim um impacto negativo para o país, mas o aumento do dólar, traz um alívio para quem decide exportar agora.

            Ao mesmo tempo, a alta do dólar pode desfavorecer outros setores no Brasil, porque quem importa acaba pagando mais caro que o valor normal. O Brasil é um país cuja economia se baseia em commodities, ou seja, a maior parte da nossa renda vem de matéria prima. Enquanto isso, países mais desenvolvidos, vendem para o nosso país produtos que agregam tecnologia, que normalmente tem um valor maior atribuído. Por esse motivo, é de extrema importância que a população entenda e cobre investimentos em educação e pesquisa, para que também possamos atribuir tecnologia aos nossos produtos, e assim evitarmos sair tão prejudicados em momentos de crise.
            Com o fechamento de fábricas e escritórios, o fornecimento de bens e serviços é abalado, e consequentemente a produção diminuí. Os consumidores, ao ficarem em casa, reduzem seus gastos, resultando também na queda da demanda. Logo, a disseminação do coronavírus atinge duas partes da economia, a cadeia de suprimentos e a demanda.

A agropecuária

            A segurança que temos em relação ao agronegócio é que ele produz produtos considerados essenciais, isto é, produtos de importância para as atividades cotidianas do consumidor, como por exemplo alimentos e medicamentos. “A agropecuária está incluída nos serviços essenciais porque o alimento é básico para a sobrevivência das pessoas”, declara a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina.

          Governo, empresas e entidades que representam diversos setores do agronegócio do Brasil têm garantido o abastecimento de alimentos no país. Por essa razão, não há necessidades de compras excessivas no varejo com o intuito de formar um estoque domiciliar.

A carne

            A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) e a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) elaboraram uma nota conjunta, nesta segunda-feira 25 de março de 2020, informando que a oferta de carne de aves e suínos está garantida. “As granjas, as indústrias frigoríficas e os supermercados do Brasil não interromperam seu funcionamento e estão priorizando o cumprimento das normas do Ministério da Saúde com relação às medidas preventivas”, disse o comunicado assinado pelos presidentes das três associações. Ainda foi citado o compromisso de “manutenção de preços justos” pelo produto comercializado no varejo.

No setor de carne bovina, a Marfrig Global Foods informou, em nota, que todas as suas unidades, no Brasil, Estados Unidos, Argentina, Uruguai e Chile, estão em operação e continuarão a funcionar, para garantir a oferta e as exportações da companhia para mais de 100 países.

            Em Santa Catarina, no município de Criciúma e região, um sindicato de trabalhadores da indústria de carnes chegou a solicitar judicialmente a paralisação das atividades de duas unidades da Seara. A JBS, por sua vez, conseguiu manter as atividades por meio de uma liminar do Tribunal Regional do Trabalho do estado, justificando que a medida “interrompe uma atividade considerada essencial e gera alto risco de desabastecimento de proteína animal à sociedade”.

            Por outro lado, a agropecuária também pode ser afetada, em decorrência do disparo dólar, que tem total influência na compra de insumos para a atividade, como ração, fertilizantes, agrotóxicos e sementes.

             Outro ponto importante a ser destacado é que o Brasil, tem sim muita condição de produzir alimento, mas também exporta muito do que produz, por esse motivo, os preços no mercado interno podem variar dependendo da demanda do mercado externo.  A China, um dos principais compradores de carne do Brasil, pode recuar no primeiro semestre de 2020 devido à epidemia de coronavírus, que está afetando a circulação de pessoas e o comércio em todo o mundo.

O leite

         Quando comparado, o cenário do leite apresenta maior estabilidade para o produtor, isso porque a procura pelo artigo tem aumentado. No entanto o período de entressafra pode refletir nos valores da mercadoria. Além disso, a alta do dólar pode desestimular a importação de leite.

            Em Santa Catarina, conforme Paulo Cesar Lopes, presidente da Associação Catarinense de Supermercados (Acats), o preço do leite registra alta de até 50%. Valor esse que segundo o representante, será repassado pelos produtores. Valter Antônio Brandalise, presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados (Sindileite-SC), garante que o aumento não tem ligação com a crise do coronavírus, mas com o período de entressafra e estiagem no sul do Brasil.

 

 

 

Providências tomadas

      A processadora brasileira BRF declarou que determinou um ‘Comitê Permanente de Monitoramento Multidisciplinar’ formado por executivos e especialistas renomados na área de infectologia para proteger a segurança de todas as pessoas envolvidas no seu âmbito operacional.  

         O Ministério da Economia brasileiro também tomou algumas medidas, que segundo eles ajudariam a população brasileira, principalmente os pequenos negócios a sobreviverem nesse momento de crise. Além do Ministro da Economia, Paulo Guedes, participaram do anúncio das medidas emergenciais os secretários especiais da Receita Federal, José Barroso Tostes; da Fazenda, Waldery Rodrigues; da Produtividade, Emprego e Competividade, Carlos Da Costa; e da Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, além do secretário-executivo, Marcelo Guaranys e do secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida.

             Declarado em no site oficial do Ministério da Economia, em 16 de Maço de 2020, cerca de R$ 60 bilhões serão destinados a manutenção de empregos, com o governo postergando, por três meses, o prazo que as empresas têm para o pagamento ao FGTS e a parte referente à parcela da União no Simples Nacional. Durante esse período de três meses, as contribuições devidas ao Sistema S sofrerão redução de 50%.

          A segunda parcela do 13º salário será antecipada para o mês de maio, a ser pago aos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Para mais, o governo vai transferir os valores não sacados do PIS/Pasep para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O governo também vai antecipar o pagamento do abono salarial, para junho.

               O governo poderá encaminhar uma medida provisória para tratar rapidamente de uma nova modalidade de saque do FGTS, estabelecendo um teto para o mesmo, disse Waldery Rodrigues, secretário Especial de Fazenda.

            Guedes evidenciou as medidas aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) pelos membros votantes (ministro da Economia, Paulo Guedes; presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto; e Secretário Especial de Fazenda, Waldery Rodrigues). A primeira medida reforma a renegociação de operações de créditos de empresas e de famílias ao dispensar os bancos de aumentarem o provisionamento, ou seja, a concessão do documento a alguém para o exercício da profissão, caso esse reajuste ocorra nos próximos seis meses. Outra medida aumenta a capacidade de utilização de capital dos bancos.

              Para o combate direto à pandemia, o Ministério da Economia reduzirá a zero as alíquotas de importação de produtos de uso médico-hospitalar, além da desoneração temporária de Imposto sobre os Produtos Industrializados (IPI) para bens produzidos internamente ou importados, que sejam necessários ao combate do Covid-19. E destinará o saldo do fundo do DPVAT para o Sistema Único de Saúde.

 

Ministério da Economia, Beefpoint, Milkpoint, Folha de São Paulo, Folha UOL, Revista Época e G1, adaptado pela equipe EMVEP Jr.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square

Av. Duque de Caxias Norte, 225 - Pirassununga - SP
Universidade de São Paulo - Campus Fernando Costa

E-mail: emvepjr@emvepjr.com

Telefone: (19) 3565-4003 | (19) 99140-0094

Patrocinador
Parceira