Novas Tendências da Piscicultura

May 30, 2019

 

     Cada vez mais o Brasil mostra sua capacidade de elevar a sua produção em diversos setores de produção animal, e na área da piscicultura isso não é diferente. A cada ano são selecionadas melhores genéticas e são desenvolvidos novos métodos e soluções para criação de espécies já bem estabelecidas e até aquelas pouco criadas pelos produtores, principalmente por conta da dificuldade de implementação, manutenção, sanitização e alimentação dessas espécies.

 

     No ano de 2017, de acordo com a Associação Brasileira de Piscicultura, o Brasil alcançou a receita de R$4,7 bilhões com a aquicultura, gerando um milhão de empregos no país, mostrando a força e o potencial que essa área de produção pode alcançar com o avanço das tecnologias e adaptações para as condições climáticas de nosso país. E de acordo com o relatório do Banco Mundial, estima-se que até 2030 a maioria dos peixes que chegarem às mesas dos consumidores serão provenientes da aquicultura, correspondendo a 62% desses peixes.

 

    Segundo informações de 2016 da Organização das Nações Unidas para Agricultura (FAO), entre os anos de 2011 e 2015, o consumo médio de pescado no mundo inteiro foi de aproximadamente 140 milhões de toneladas, resultando em 37% do mercado total de carnes, ficando à frente de outras carnes, como a de aves (21%), suínos (27%) e carne bovina (15%). Esses dados revelam que dado o crescente consumo de carne de pescados pelas pessoas ao redor do mundo, nosso mercado terá cada vez mais espaço para atender a essa demanda no futuro, e destacar a nossa imagem no exterior nessa área que até poucos anos atrás era pouco explorada.

 

    Parte da nossa piscicultura, principalmente da tilapicultura, é produto de exportação para outros países que buscam a qualidade de nossos peixes. De acordo com a Associação Brasileira de Piscicultura, em 2018, o Brasil exportou mais de 700 toneladas para o nosso maior comprador, os Estados Unidos, que também é o maior comprador da tilápia no mundo. A Tilápia do Nilo vem se fortalecendo ano após ano nas criações, colocando o Brasil como o 4º maior produtor mundial, produzindo cerca de 400 mil toneladas graças ao investimento em seleção genética. Essa espécie já consegue se adaptar a todos os estados brasileiros e é a mais comercializada dentre as outras espécies, o que mantém a perspectiva positiva sobre o futuro desse tipo de criação, levando milhares de produtores a investir nesse negócio.

 

    E de acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), as regiões Sul e Sudeste ganharam destaque no ano de 2018 pelas maiores produções de Tilápia, com o Paraná seguindo na liderança, com 123 mil toneladas, São Paulo em segundo, com 69 mil toneladas, e em terceiro lugar Santa Catarina, com 33,8 mil toneladas.

 

    A pesca esportiva é um lazer que se encontra na rotina de pessoas de várias idades, e para muitos pescadores experientes, o Lambari é a escolha mais rentável de isca, o que abriu os olhos dos produtores que querem atingir esses consumidores através da criação dessa espécie. Esse peixe de água doce, de hábito onívoro, que pode chegar a 20 cm de comprimento, vem ganhando a mesa do brasileiro, podendo ser adquirido de várias formas, seja ela em filé, defumado, enlatado ou salgado.

 

    A lambaricultura pode ser feita com tanques escavados e serem feitos até 3 ciclos por ano, com o rendimento de R$15,00/m²/ano, superior as espécies de pacu ou tilápia, com a densidade de 50 peixes/m². É uma cultura que está em ascensão, e os produtores de São Paulo, o maior estado produtor de Lambari em cativeiro, estão satisfeitos com o retorno, o que atrai cada vez mais produtores experientes e iniciantes para esse ramo.

 

    Outro peixe muito importante para o cenário econômico brasileiro de pescados, que assim como o Lambari, gosta de águas quentes e doces, possui baixa restrição alimentar, podendo assim se adaptar às rações industrializadas e criação de fácil manejo, é o pacu. Esse peixe vem se destacando como uma das principais espécies cultivadas na região Sudeste, e pode se esperar que alcance o peso de 8kg, e em viveiros é possível ultrapassar 1,1 kg em apenas um ano de criação, sendo que o peso médio ideal para a venda é de 1,5 kg.

 

    É necessária atenção aos problemas enfrentados pelos produtores, e um deles é referente ao manejo sanitário de viveiros, que pode provocar doenças nos peixes se não for dada a atenção correta sobre a quantidade e qualidade de alimento ofertado e o manejo inadequado do ambiente e dos peixes. Nesses quesitos pode-se calcular a quantidade e o tipo ideal para cada tipo de criação e também a melhor forma de controlar a qualidade da água (pH, balanço iônico e oxigenação).

 

   A incidência de doenças pode estar relacionada ao manejo da produção, como já citado acima, mas também pode ser em decorrência da aquisição de novos animais para a criação, que podem trazer doenças; por isso a quarentena em tanque isolado dessa nova remessa deve ser realizada. Deve-se também observar os sinais clínicos que podem ser revelados nesse período e tomar as medidas profiláticas, que irão minimizar os riscos para a produção.

 

    A presença de outras espécies na criação, como sapos, aves, morcegos, caramujos e outros peixes não ligados a criação podem ser responsáveis por transmitir doenças e até provocar lesões nos animais, por isso, o controle e a limpeza dos viveiros se torna essencial, e medidas preventivas como redes, barreiras e outros métodos são fortes aliados para que esses animais fiquem longe da criação.

 

   Vale ressaltar que uma ideia só é viável quando se dispõe de uma técnica que melhor se adapte à situação e também mão de obra para que os imprevistos que possam ocorrer sejam prontamente resolvidos, dando atenção aos indicadores de pH, balanço iônico, comportamento dos animais, descarte, temperatura e, principalmente, a oxigenação da água.

 

    A facilidade da criação de tanques, com a ajuda para a confecção do sistema e manutenção podem fazer com que até mesmo um novo produtor tenha um retorno satisfatório de seu investimento. Porém, como a atividade demanda muito dos recursos naturais como água, energia e solo, é necessário que se faça a devida gestão e racionalização deles, com o devido suporte de profissionais da área.

 

Referências:

 

SHULTER, Eduardo Pickler; VIEIRA FILHO, José Eustáquio Riveiro. EVOLUÇÃO DA PISCICULTURA NO BRASIL: DIAGNÓSTICO E DESENVOLVIMENTO DA CADEIA PRODUTIVA DE TILÁPIA. Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 2017.

AQUICULTURA NO BRASIL: Séries estudo mercadológico. Brasília: Sebrae, 2015.

ANUÁRIO PEIXEBR DA PISCICULTURA 2019. São Paulo: Peixe Br, 2019

SUSSEL, Fábio. Lambaricultura, consolidando-se na aquicultura brasileira. Disponível em: http://www.aquaculturebrasil.com/2018/06/22/lambaricultura-consolidando-se-na-aquicultura-brasileira/. Acesso em: 04 maio. 2019.

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