Bem-estar na produção animal

April 4, 2019

     A total eficiência da capacidade produtiva animal consiste na adequação de três fatores chave: genética, pois a carga de genes da raça animal constitui um predisponente para a performance do mesmo; nutrição, pois que a potência produtiva depende do aporte nutricional ideal para o funcionamento fisiológico do corpo ​animal, e o ​manejo​, as instalações e a interação funcionário- animal, que interferem diretamente no desempenho a partir da redução de perdas e melhoria no rendimento de carcaças e produtos de origem animal. 

 

    As atividades rotineiras na propriedade, por serem realizadas com seres sencientes, ou seja, possuidores de emoções, devem, portanto, garantir ao animal condições de adaptação ao meio em que ele se encontra, como acesso à comida e água, cuidados veterinários e enriquecimento ​ambiental​, para que o comportamento natural possa ser expressado. Seja por ​exigências do ​mercado consumidor, questões éticas, emergência de doenças, discussão acerca da qualidade do alimento ou por foco nos lucros, o debate sobre o bem-estar ​na​ produção​ animal se mostra cada vez mais presente. 

 

    Pela posição do Brasil como país produtor de proteína animal para o comércio local e internacional devemos ter atenção às exigências mercadológicas para evitar iminentes prejuízos. A União Europeia, por exemplo, estabeleceu em 2010 critérios e prazos para implementação de manejos e de instalações animais no documento “The Community Action Plan on The Protection and Welfare Of Animals”, os quais deverão constituir forte barreira comercial nas relações com países da Europa. 

 

       Consumidores se mostram interessados na origem e no caminho que o alimento percorre até chegar em seus pratos, e não é apenas a indústria alimentícia que tem sido monitorada; cosméticos e produtos passíveis de testes em animais têm sofrido boicotes e perdido potenciais nichos de consumo. 

 

      Desde 2001, o bem-estar animal é colocado como ponto de atuação do planejamento estratégico da Organização Mundial para a ​Saúde Animal (OIE), instituição que é referência para a saúde animal. A organização internacional pauta outras discussões sobre o tema e aborda o assunto de uma forma ampla, considerando também o impacto ambiental e as novas oportunidades na agropecuária frente às produções sustentáveis. 

 

      No Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) lançou um projeto focado em rastreabilidade e qualidade dos alimentos nos quesitos de saúde, higidez, ausência de resíduos nos produtos e bem-estar nas produções, o Sistema Agropecuário de Produção Integrada (SAPI). A produção nacional já possui, desde 2008, diretrizes concedidas pela Instrução Normativa de número 56, cujo conteúdo engloba os sistemas de produção e transporte animal objetivando à redução do estresse e sofrimento desnecessários.

 

    As instalações têm como funcionalidade propiciar conforto, espaço, proteção, ambiente limpo, seco e sanitário, evitando assim, estresse térmico (relacionado à temperatura e circulação do ar), doenças, desavenças em lotes e/ou violência no manejo coletivo ou individual. Instalações como currais tem forte influência na experiência animal e sua projeção pode garantir ainda lugares mais seguros, eficientes e de fácil acesso aos produtores, técnicos e veterinários envolvidos nas atividades. 

 

      Em sistemas de criação intensiva, com alta densidade de animais e impossibilidade de expressão do comportamento natural, surge uma alternativa para redução dos sentimentos de frustração e agressividade. O enriquecimento ambiental introduz no ambiente materiais e objetos que melhorem o conforto da população alojada naquele sistema e conta com o apoio da observação do comportamento animal e de seus níveis produtivos, através do gerenciamento de índices zootécnicos, para elucidação das práticas que precisam ser atualizadas na propriedade. 

 

    Por muito tempo, bem-estar e alta produtividade eram tidos como antagônicos, no entanto, o efeito negativo do estresse acarreta em quedas na produção de ovos e leite, redução na reprodução e nas taxas de crescimento, aumento na incidência de doenças e produção de carne de qualidade inferior ao esperado. A atenção no manejo antecede futuros cuidados e, consequentemente, posteriores gastos com o plantel, constituindo um investimento, ao invés de apenas um aumento no custo produtivo, o qual muitas vezes é recompensado no preço final cobrado pelos produtos. 

 

     A criação humanitária, nome dado ao sistema que segue parâmetros de sustentabilidade ambiental e na vida animal, pode requerer menor uso de água, combustíveis e alimentos, reduzindo então o impacto ambiental e os gastos produtivos. As fazendas geram ainda empregos no fornecimento de alimentos de maior qualidade e as reduções de impacto ambiental vão da reciclagem de nutrientes no solo à redução de emissões de gases que contribuem com a intensidade do efeito estufa.

 

     A disseminação da tecnologia auxiliou no fomento da discussão de bem-estar e na sua aplicação, no entanto, a melhoria da qualidade de vida dos animais que constituem nossa base alimentar não exige necessariamente grandes investimentos, podendo ser atingida através do treinamento de funcionários ou de alterações simples de rotina. Ficou interessado e quer melhorar o bem-estar animal na sua criação? Entre em contato com a EMVEPJr!

 

 

Referências:

 

BROOM, D. Animal welfare: concepts and measurements. Journal of Animal Science, v. 69, p. 4167-4175, 1991.

COMMUNITY               ACTION              PLAN             2006-2010.             Disponível             em:

http://ec.europa.eu/food/animal/welfare/actionplan/actionplan_en.htm>.​      

HURNIK, J. Behaviour farm animal and the environment. Cambridge: CAB International, 1992. 430 p.

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