Principais técnicas de criação e manejo de ovinos de corte

                 

     Na criação e manejo de ovinos a genética das raças possui grande importância para uma eficiência produtiva final. Aliado a isso, a qualidade da alimentação e o manejo reprodutivo e sanitário devem ser adequados para que os animais expressem seu máximo potencial de desempenho.

 

     Não há limitações para criar ovinos no país em relação à temperatura e suas variações, pois são animais que se adequam aos diversos tipos de climas. Existem raças adaptadas tanto às condições do semiárido nordestino, quanto aos invernos rigorosos do sul. Dentre as várias raças de ovinos existentes no Brasil, as principais com aptidão para carne são: Suffolk, Hampshire Down, Ile de France, Texel, Poll Dorset, Santa Inês, Morada Nova e Bergamácia.

 

     Em relação ao sistema produtivo, existem três tipos: extensivo a pasto, semi-intensivo e intensivo (confinamento). O sistema extensivo a pasto hoje é o mais utilizado, pois apresenta um menor custo e dá ao animal melhores condições de bem-estar. Entretanto, nesse sistema ocorre um menor desempenho do animal quando comparado ao confinamento.

 

   O sistema semi-intensivo caracteriza-se por uma fase produtiva a pasto e a outra a pasto com suplementação ou confinada, tendo como vantagens maior eficiência no controle de endoparasitas e proteção contra intempéries climáticas. Já o sistema intensivo, apresenta um maior custo com instalações, armazenamento de alimentos e concentrado, porém a conversão alimentar dos animais é maior, com altas taxas de crescimento muscular e adequada deposição de gordura.

                 

     Quando utilizada a criação a pasto, deve-se adotar o manejo da forragem adequado para uma maior eficiência produtiva. Além disso, a rotação de pastagens potencializa a produção, já que respeita os hábitos de crescimento das gramíneas, o que é fundamental para o atendimento das exigências nutricionais do animal, visto que elas possuirão um maior valor nutritivo; também ocorrerá uma diminuição no índice de verminoses, tendo em vista que a maioria dos parasitas se encontram no pasto e não nos animais.

 

     Um recurso complementar ao pasto é a utilização do creep feeding, estrutura dentro do piquete, na qual apenas os cordeiros têm acesso. Esse se apresenta como uma estratégia de suplementação alimentar fornecida na fase de cria, que tem como principal objetivo o desmame precoce de cordeiros mais pesados.

 

     No caso da criação em confinamento, os currais para ovinos não precisam ser fechados completamente, porém, em áreas mais frias, usa-se cortinas para impedir correntes de ar. O terreno precisa ser bem drenado, com solos duros e consistentes. O piso de chão batido, com cama para forração, são bons substitutos aos ripados, que podem causar problemas de aprumos nos animais mais pesados, têm pouca durabilidade e investimento alto.

 

     Outro aspecto relevante a ser abordado é em relação à reprodução. É fundamental que se determine a época da estação de monta, a qual não deve ter duração maior que 60 dias, para evitar a grande diferença de idade entre os cordeiros nascidos. A estação de monta deverá ser determinada de um modo que os nascimentos coincidam com a maior oferta de pastagem e temperaturas mais elevadas.

 

     Uma técnica para aprimorar a eficiência reprodutiva é a utilização do “flushing”, esse consiste na elevação do nível nutricional das ovelhas e é feito três a quatro semanas antes do início da estação de monta. O processo é realizado oferecendo uma pastagem de boa qualidade e administrando uma suplementação alimentar com feno, silagem ou concentrado.

 

     A época do desmame varia de acordo com as condições de produção, podendo ser precoce, entre 21 e 45 dias, praticada em explorações leiteiras e sistemas intensivos de produção de carne; semi-precoce, entre 60 e 100 dias, quando existe possibilidade de fornecer boas condições nutricionais aos cordeiros em terminação; e tardia, entre 100 e 150 dias de idade, para sistemas extensivos de criação. O pico de produção de leite das mães irá ocorrer entre a terceira e quarta semana após o parto, sendo que 75% do total da lactação é produzido nas primeiras oito semanas. Com isso, não se justifica prolongar muito o período de amamentação, já que junto com a diminuição de leite materno, aumenta a necessidade do cordeiro de consumir alimento sólido para estimular o desenvolvimento do rúmen.

 

     Em relação ao manejo sanitário, é extremamente necessária a aplicação periódica de vermífugos e um programa de vacinação rigoroso, já que ovinos são susceptíveis a verminoses gastrointestinais e doenças como ceratoconjutivite, brucelose, ectima contagioso e linfadenite caseosa.

Em suma, para se obter sucesso na criação e produção de ovinos, o consumo de alimentos e o manejo deverão atender de forma adequada às necessidades de mantença, crescimento, gestação e produção. Tais necessidades variam de acordo com a categoria e espécie ovina.

 

 

Referências:

 BARROS, N. N. et. al. Boas práticas na produção de caprinos e ovinos de corte. Sobral, CE: Embrapa Caprinos, 2005. 40p. (Embrapa Caprinos. Documentos, 57).

 

ELOY, A. M. x. et al. Orientações técnicas para a produção de caprinos e ovinos em regiões tropicais. 1ª ed. Sobral: Embrapa Caprinos, 2001. 79p. EMBRAPA INFORMAÇãO TECNOLóGICA. Criação de caprinos e ovinos. Série ABC da Agricultura Familiar. Embrapa Caprinos/Fome zero-MDS. 2004. FAEB/SENAR/SEBRAE. Programa palma a palmo. Salvador, 2008. 24p.

 

NUNES, J. F.; SUASSUNA. U.; CIRíACO, A. L. T. Produção e reprodução de caprinos e ovinos. 2ª ed. Fortaleza: UECE, 1997. 199 p.

 

SANTOS, R. dos. A criação da cabra & da ovelha no Brasil. O Berro/Editora Agropecuária Tropical Ltda. Uberaba, MG, 2004. 496p.

 

 

MARTINS, E. C.; GUIMARÃES, V. P.; BOMFIM, M. A. D.; CARVALHO, R. de S. Terminação de cordeiros em confinamento: avaliação dos impactos econômicos, sociais e ambientais. In: CONGRESSO SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E SOCIOLOGIA RURAL, 48., 2010, Campo Grande, MS. Tecnologias, desenvolvimento e integração social; anais. Campo Grande, MS: Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural, 2010. 17 f. 1 CD-ROM. Disponível em:<http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/ item/118261/1/CNPC-2010-Terminacao.pdf>. Acesso em: 15 set 2018.

 

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